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Arriscando e Inovando em Direitos Humanos

LUCIA NADER and JOSÉ GUILHERME F. DE CAMPOS 8 July 2016
Originalmente publicado no Open Global Rights – em Português e em Inglês

Em nossa pesquisa, profissionais de direitos humanos, ativistas, acadêmicos e financiadores nos deram várias razões para não inovar. No entanto, os riscos são tão grandes quanto alguns pensam?
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É inegável que no mundo dos direitos humanos exista uma forte pressão, incluindo por parte de financiadores, para que se busque “o novo”. É também inegável que nossas sociedades estejam passando por mudanças que não podemos ignorar. Mas quando precisamos inovar? E como é que as organizações de direitos humanos – baseadas em valores inegociáveis – sentem-se diante dessa necessidade? Entre 2015-2016, entrevistamos 102 pessoas para fomentar um debate público sobre como organizações de direitos humanos da sociedade civil, incluindo financiadores, têm reagido e adaptado a tendências atuais, como por exemplo a multiplicidade de agendas, crescente fluxo de informação, ativismo não-institucional e crise de representatividade do Estado. Entre os entrevistados para a pesquisa “Organizações Sólidas em um Mundo Líquido”, tivemos acadêmicos de renome, representantes de ONGs e fundações de diversos países.

Inovação não é um panaceia Em geral, a resistência à inovação foi um tema recorrente. Entrevistados discordaram da tese segundo a qual inovar seria sempre bom – ou bom em si mesmo. A eterna busca pelo novo pode levar organizações a perder seu foco ou a se distrair constantemente com novos programas e projetos. Como Johanna Mair e Christian Seelos observaram, inovação não é um “santo graal”, apesar de muitas pessoas aparentemente se referirem a esse conceito como uma “panaceia para todos os males.” Não obstante, com base nas respostas que obtivemos, concluímos que resistir à inovação por medo de correr riscos também pode ser um erro. A inovação é importante, mas não deixa de ser uma escolha de cada organização – e não um imperativo. Pode ser um processo simples ou complexo, que requer ao mesmo tempo humildade e ambição.

Como, então, ONGs podem inovar de forma inteligente, sem se curvar a tendências e chavões?

A inovação depende tanto de fatores externos como de fatores internos, que dizem respeito ao contexto no qual as organizações atuam, bem como às suas características institucionais. Tendo isso em mente, cada organização precisa ajustar a definição de inovação ao seu contexto específico, para que esse processo seja útil para a sua própria missão, e esteja em sintonia com seu modus operandi, valores, estrutura e história.

Pelas entrevistas pudemos perceber que, pelo fato dos valores e princípios de direitos humanos serem inegociáveis, a ideia de inovação pode tornar-se muito desconfortável. Neste caso, o medo geral é que levar inovação ao extremo pode fazer com que os valores fundamentos de direitos humanos deem lugar ao relativismo.

Além disso, as vítimas de violações de direitos humanos já são vulneráveis demais para serem usadas como experimentos. Anos de experiência mostram, por exemplo, que há um “protocolo” a ser seguido ao colher depoimentos de vítimas de tortura, para que seu sofrimento e suas necessidades psicológicas sejam respeitados. Se inovarmos testando uma metodologia completamente nova, corremos o risco de ignorar sem a devida cautela estes protocolos já consolidados e de suma importância.

Em muitas ocasiões, no entanto, a inovação pode nascer da necessidade ou a pedido das próprias vítimas ou beneficiários. Como Susi Bascon, da Peace Brigades International (Reino Unido) nos contou: “Para mim, a necessidade (ou não) de inovar e como vamos fazê-lo [surgem] de conversas atentas com defensores dos direitos humanos e vítimas, e não de outros indicadores … Se perdermos contato com pessoas de fora da organização, como vamos saber quando e onde inovar?” Metodologias de planejamento com base na chamada abordagem centrada no ser humano são um bom exemplo e podem ser úteis para manter contato próximo e contínuo com os beneficiários e colocar as pessoas no centro da ação de uma organização, incluindo os integrantes de sua equipe.

A inovação é muitas vezes entendida apenas como adaptação às novas tecnologias e formas de comunicação, utilizar ferramentas on-line e integrar a “cultura de tecnologia” ao dia-a-dia da organização. Por um lado, a tecnologia pode gerar novas violações de direitos, como por exemplo a vigilância em massa por parte do Estado e ameaças à privacidade por empresas privadas. Os avanços tecnológicos podem, ainda, agravar a desigualdade, aumentar o desemprego e concentrar ainda mais a riqueza nas mãos de poucos poderosos. Miguel Lago, da Nossas Cidades (Brasil), também ressaltou as ambiguidades da aparente dicotomia entre on-line e off-line: “O primeiro tende a gerar envolvimento e laços relacionais superficiais, porém amplia o espectro de participação; ao passo que o segundo tende a gerar laços relacionais mais profundos sem ter, porém, o mesmo poder de mobilização.”

Por outro lado, tecnologia e conectividade podem ser benéficas para ONGs. Ferramentas, tais como aplicativos de celular, vídeos e outras “podem acelerar o processo de verificação de provas de violações de direitos, bem como aprimorar a qualidade e reduzir o tempo gasto na preparação de relatórios sobre violações,” disse uma das representantes do The Whistle, um aplicativo desenvolvido especificamente para enfrentar este desafio. Carroll Bogert da Human Rights Watch (EUA) ilustrou essa tendência: “Pela primeira vez, o número de vídeos que fizemos denunciando violações superou o número de relatórios impressos. Hoje, um pesquisador vai para missão a um país levando consigo uma câmera, ele(a) tuita durante a investigação, etc. Temos que nos adaptar”, nos disse.

Muitos entrevistados também relataram que o modelo de financiamento de uma organização influencia – e muito – em sua capacidade e disposição em inovar. Não há garantias de que novos métodos funcionarão. “Não temos dinheiro para errar. O modelo atual de financiamento da maioria das organizações não permite que elas ousem”, observou Ana Valéria Araújo do Fundo Brasil de Direitos Humanos. Foi quase unânime a afirmação de que financiamentos previsíveis, de longo prazo, e apoios institucionais – ao invés de financiamento por projeto – geram um ambiente mais propício a que organizações inovem e arrisquem mais. Esse tipo de financiamento também permite um diálogo mais fluido e honesto entre financiador e financiado, em que os dois lados saem ganhando.

Inovar ou não inovar?

Inovação não significa joga fora tudo o que foi construído, ignorando o histórico da organização, diminuindo a importância dos valores, princípios, persistência e conhecimento acumulados. Ousar e arriscar em novas estratégias, processos ou projetos pode, ou não, ser uma forma apropriada de lidar com velhos desafios. Um dos entrevistados nos disse que “uma organização precisa ser suficientemente sólida para poder ser líquida, se reinventar,” alertando para a importância de se buscar um equilíbrio entre persistir e inovar.

Além disso, Johanna Mair teve o cuidado de ressaltar que a busca por impacto não deve ser o único fator a levar uma organização a inovar: “O principal erro é medir o sucesso de uma inovação apenas por seu impacto. Inovar, se bem feito, também aprimora processos internos, o clima organizacional, a motivação da equipe e leva a avanços cognitivos.”

Ao desenvolver novos métodos, ONGs devem fazer uso de sua curiosidade. Recomendamos que organizações se perguntem o que inovação significa especificamente para eles; por que, onde e como elas desejam inovar; e quem vai liderar e participar desse processo. Nunca teremos todas as respostas e riscos serão assumidos. Para algumas organizações e indivíduos, este nível de risco é aceitável, mas para outros pode não o ser.

O que para algumas organizações é uma inovação, para outras pode ter o nome de ousadia, abertura a novos riscos ou adequação ao mundo atual. A questão, portanto, não é “inovar ou não inovar?”. A pergunta crucial é quais são as melhores formas de promover direitos hoje.

**Uma versão mais longa desse artigo foi publicada em Inglês, Espanhol e Português na edição 23 da SUR – Revista Internacional de Direitos Humanos.

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Taking chances and innovating in human rights

LUCIA NADER and JOSÉ GUILHERME F. DE CAMPOS 8 July 2016
Originally published at Open Global Rights – in English and in Portuguese

In our research, human rights workers, academics, activists and funders gave us a lot of reasons not to innovate. But are the risks as big as some might think?
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It is undeniable in the human rights world that there is a pressure, including from funders, to seek “the new”. It is also undeniable that our societies are undergoing changes we can not ignore. But when is innovation necessary? And how do human rights organizations — founded upon non-negotiable values—feel about it? During 2015-2016, we interviewed 102 people to foster a public debate on how rights-based civil society organizations, including funders, are reacting and adapting to contemporary trends, such as multiplicity and pace of information, non-institutional activism and crisis of representation of the state. Interviewees for the research “Solid Organizations in a Liquid World” included key academics, representatives of NGOs and foundations from several countries.

Innovation is not a panacea. Overall, resistance to innovation was a common theme. Respondents disagreed with the assumption that innovation is always good—or good in and of itself. Perpetually seeking the new can cause organizations to lose focus or remain continually distracted by new programs and projects. As Johanna Mair and Christian Seelos note, innovation is not a “holy grail” despite the fact that many people seem to be using it as a “panacea for all ills.” But, based on the responses we received, we believe that to resist innovation for fear of taking risks can also be a mistake. Innovation is important, but, at the end of the day, it is each organization’s choice—not an imperative. It can be a simple or a complex process, that requires humility and ambition. How then, can NGOs use innovation wisely, without pandering to trends and buzzwords?

Innovation depends both on internal and external factors, related to the context in which the organization operates, as well as group factors and organizational factors. In this context, each organization needs to adjust the definition of innovation in order to make it useful to its mission, and be in tune with the modus operandi, values, structure and history of each organization.

Furthermore, some interviews pointed out to the fact that human rights values and principles are non-negotiable and this can make the idea of innovation very uncomfortable. In this case, the overarching fear is that innovation pushed too far could also cause core human rights values to be lost in an argument of relativism.

In addition, victims of human rights violations are already too vulnerable to be the target of experiments. Years of experience show, for instance, that there is a “protocol” to be followed when hearing victims of torture, to respect their suffering and their psychological needs. If we innovate by testing a completely new methodology, we risk disregarding these established and important protocols without due caution.

In many situations, however, innovation can arise from the need or demand of the victims or beneficiaries themselves. As Susi Bascon, from Peace Brigades International (UK), told us: “For me, the need (or not) to innovate and how we will do it [comes] from listening in-depth to human rights defenders and the victims, and not through other indicators…If we lose contact with people outside the organization, how will we know when and where to innovate?” Planning methodologies based on the so-called human-centered approach are a good example of this and can be helpful in keeping close and continuous contact with the beneficiaries, putting people in the center of an organization’s action, including its staff members.

Also, innovation is often understood as solely adapting to new technologies and forms of communication, to make use of online tools and integrate “tech culture” to the day-to-day of the organization. On one hand, technology can be the cause of new rights violations, including state surveillance and privacy threats by private corporations. Technological advancements can also deepen inequality, raise unemployment and further concentrate wealth in the hands of the powerful. Miguel Lago, from Nossas Cidades in Brazil, also stressed the ambiguities of the apparent dichotomy between online and off-line: “The first tends to create superficial involvement and relational ties. However, it often broadens the spectrum of participation, while the second tends to nurture deeper relational ties without necessarily the same power of mobilization.”

On the other hand, technology and connectivity can be beneficial to NGOs. Technological tools such as mobile applications, videos and other tools “can help speed up the process of checking evidence and improving the quality and time spent in drafting reports on violations,” said one of the representatives of The Whistle, an app designed to address this challenge. Carroll Bogert from Human Rights Watch (US) illustrated this trend: “For the first time, the number of videos we made reporting violations exceeded the number of printed reports. Today a researcher goes to a country visit taking along a camera, s/he tweets during the investigation, etc. We have to adapt”, she told us.

In addition, many interviewees highlighted that the funding model of an organization has a lot of influence in its ability and willingness to innovate. There are no guarantees that new methods will work. “We cannot afford to make mistakes. The current model of financing of most organizations does not allow them to dare,” noted Ana Valeria Araujo from Fundo Brasil de Direitos Humanos in Brazil. Respondents were also almost unanimous in saying that predictable, long-term and institutional support—rather than project-specific support—are more likely to foster audacity and risk-taking. This type of financing also enables a more fluid and honest dialogue between the funder and the funded, where both sides win.

To innovate or not to innovate?

Innovation does not have to mean throwing out everything that has been built, ignoring its record, diminishing the importance of values, principles, persistence and expertise. To be bold and venture into new strategies, processes or activities may be well suited to address old challenges—or it may not. One of our respondents told us that “an organization needs to be strong enough to be able to be fluid, to reinvent itself”, stressing the importance of seeking a balance between persisting and innovating.

In addition, Johanna Mair was careful to point out that innovation should not be only driven by aiming impact: “The vital mistake we often make is to measure the success of an innovation only by its impact. Innovating, if done well, also leads to improvements in internal processes, organizational environment, motivation and cognitive improvements.”

NGOs should be curious when developing new methods. We recommend asking very specific questions about what innovation means for them, why, where and how they want to innovate, and who will lead and participate in this process. At the same time, innovating will always mean not having all the answers and assuming risks. For some organizations or individuals, this level of risk is acceptable, but it might not be for others.

What some organizations call innovation, others may call boldness, risk-taking or adjustment to the modern world. The question, then, is not “to innovate or not to innovate?” Rather, the real question is what are the very best ways to advance rights today.

**A longer version of this article is published in English, Spanish and Portuguese in issue 23 of SUR International Journal on Human Rights.

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De volta ao futuro no Brasil

Publicado em 30 de dezembro de 2015 no Democracia Abierta em português, inglês e espanhol

LUCIA NADER, MANOELA MIKLOS, and ANA CAROLINA EVANGELISTA

30 December 2015

Ainda que imersa numa crise que afeta os três poderes, a sociedade civil brasileira acredita na democracia. As recentes mobilizações de mulheres e jovens indicam o caminho a seguir. English. Español.
“Brasil, País do Futuro” é o título do clássico livro de 1941 de Stefan Zweig. Converteu-se em ditado popular: o Brasil é o país do futuro. Todo brasileiro escutou essa frase e era comum, até os anos 2000, a brincadeira de que esse futuro jamais chegaria.

Na última década, no entanto, esse futuro perecia ter chegado. O Brasil saiu do Mapa da Fome (FAO-ONU). Dentre os países mais populosos do mundo, teve a maior queda de subalimentados entre 2002 e 2014: 82,1%.

Nesse mesmo período, o desemprego chegou a louváveis 4,9%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e o salário mínimo teve ganhos reais de 75%.

Os números dão concretude a algo que não era apenas um sentimento: houve importantes avanços sociais e substantiva distribuição de renda. Em 2003, o recém-eleito presidente Lula (PT) prometeu um “Brasil, país de todos”. Um líder hábil e carismático. Um mestre em disseminar otimismo, com dados para respaldá-lo.

O otimismo erodiu e vem dando lugar a uma percepção de inflexão nessa rota positiva. Estaríamos voltando para o passado? O futuro seria mesmo apenas uma promessa?

A deterioração do cenário político, econômico e social são assunto de qualquer roda de conversa. Manchetes dos jornais e mobilizam milhares a saírem às ruas, para defender ou questionar o governo com igual fúria. Os ânimos estão aflorados e a polarização faz com que ninguém saia impune de ser rotulado como esquerda ou direita, sempre pejorativamente, dependendo dos olhos de quem vê. Uma tentativa simplista de construir um culpado único, e agregar aliados contra essa ameaça.

Três poderes

É fundamental olharmos para os três poderes para compreender o momento atual da política brasileira.

Em Brasília, um Poder Executivo esgarçado é chefiado pela presidente Dilma Rousseff (PT), sucessora de Lula, que já está em seu segundo mandato. Dilma foi reeleita ao final de 2014 com 51,64%% dos votos válidos, contra os 48,36%do segundo colocado, Aécio Neves (PSDB). Ao mesmo tempo, o PT – partido da presidente – tem sido alvo de sucessivos escândalos de corrupção e encontra dificuldade de seguir com seu projeto que dá sinais de esgotamento e demanda urgente revisão. A taxa de desaprovação do governo Dilma é de 65%e ela está à mercê de alianças questionáveis com a sua base aliada, em prol de uma suposta governabilidade.

No Legislativo, foi conduzido à presidência da Câmara dos Deputados o deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Cunha emergiu desse ambiente de incerteza como um grande líder conservador numa guerra declarada contra o governo.

Este mesmo Legislativo está imerso em incontáveis casos de corrupção envolvendo os presidentes e parlamentares da Câmara dos Deputados e do Senado. Uma maioria de deputados conservadores trava uma batalha diária contra direitos adquiridos desde a Constituição Federal de 1988, alicerce da redemocratização: a maioridade penal pode diminuir e estão em risco, por exemplo, o estatuto do desarmamento, o direito ao aborto legal e seguro para casos de estupro e leis que garantem direitos indígenas.

Um dos efeitos deste cenário é uma presidente acuada por ameaças de impeachment capitaneadas por Cunha e pelos partidos de oposição sob alegação de violação de leis de responsabilidade fiscal. O PMDB, partido de Cunha, é, diga-se de passagem, o partido do vice-presidente da República e, teoricamente, aliado ao governo.

Já o poder Judiciário, tem sido acessado com frequência para arbitrar nesse momento de incertezas. Age com relativa celeridade, mas aquece o debate sobre a excessiva judicialização da política. É visto como bandido ou mocinho dependendo de como delibera e do grupo que o avalia.

Tudo isso acontece em meio a uma operação da Polícia Federal, batizada deLava-Jato, que busca esclarecer e punir os responsáveis por um esquema de corrupção envolvendo os principais atores políticos e interesses econômicos do país. É a maior investigação sobre corrupção conduzida até hoje, envolvendo políticos de vários partidos e as maiores empreiteiras do país.

Participação, inovação, futuro

Em meio ao aparente caos, há, contudo, a chance de retomar a crença na democracia, ressignificar as práticas de participação e aprofundá-las. A inovação cívica parece ganhar fôlego à medida que as relações no âmbito do Estado corroem-se. A sociedade civil brasileira segue vibrante e crê na democracia. Por um lado, demanda uma urgente reforma política e zela pelas instituições republicanas, por outro, busca fortalecer, em suas muitas lutas, a democracia como valor de vida em sociedade.

Lembremos que milhões de brasileiros foram às ruas em junho de 2013. Dentre as várias bandeiras, a do “não me representa” emergiu como consenso. Um recado claro ao Estado de que há um hiato grande demais entre representantes e representados.

É inadiável uma reforma política ampla e profunda. Mas é preciso mais e a sociedade brasileira sabe disso. É preciso olhar além do Estado e das instituições e revigorar a crença na democracia como valor da convivência em sociedade.

É dessa percepção que nascem, no Brasil de hoje, articulações independentes, autônomas, que tomam as ruas e as redes e reanimam paixões políticas em meio à imobilidade que o caos poderia impor. Duas mobilizações recentes são dignas de nota: a resistência das mulheres brasileiras e a insurgência dos estudantes secundaristas do sistema público do Estado de São Paulo.

As mulheres brasileiras marcharam nas ruas pedindo nenhum direito a menos e muitos a mais. Tomaram os meios de comunicação e ocuparam por uma semana os espaços de fala garantidos aos homens com vozes femininas e feministas para falar do machismo e da desigualdade de gênero. Dominaram as redes numa catarse digital, uma marcha de hashtags contra a cultura do assédio e da violência contra a mulher. O ano de 2015 foi o da primavera feminista no Brasil. As lutas feministas por um “novo normal” no que tange às relações entre os indivíduos são exemplo dessa sociedade civil sintonizada na necessidade de cuidados redobrados com uma democracia que seja percebida de maneira total.

Os estudantes secundaristas do sistema público de ensino do Estado de São Paulo se articularam igualmente de maneira inédita contra o projeto de reorganização das políticas para educação do governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) e o processo autoritário de sua formulação e execução, atitude recorrente desse governo estadual. Milhares de alunos ocuparam por um mês aproximadamente 200 escolas públicas espalhadas e conseguiram asuspensão do projeto de reorganização. Estes jovens envolveram pais, professores, comunidades, intelectuais e artistas numa mobilização contra o fechamento de escolas e pela democracia, tanto no âmbito da tomada de decisão estatal quanto nas relações estabelecidas entre cidadãos nas salas de aula e nas ruas.

Na política, não existem vitórias definitivas, mas há conquistas que pedem celebração. O que fizeram mulheres e estudantes em 2015 deve ser observado com atenção. A saída para a crise está em articulações inovadoras que reúnam a sociedade civil em redes progressistas. A potência dessas redes está na sua diversidade e na forma como potencializa o ativismo atomizado e individual, os movimentos e as organizações.

Defender o Estado democrático de direito é necessário. As instituições devem ser preservadas, a reforma política é imprescindível, mas é igualmente urgente se reunir e pensar a democracia enquanto valor que pauta a convivência em sociedade.

Queremos um país verdadeiramente democrático e democracia é mais que um regime. Queremos a democracia exercitada diariamente dentro e fora das instituições. Mulheres e jovens estão indicando um caminho. Políticos devem escutá-los.

Aí sim, o futuro será presente.

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Escuchar las calles: el caso español

Cuatro años después de que protestas masivas sacudieran España, las políticas electorales del país están cambiando. ¿Se han affectado las organizaciones de derechos humanos? ¿Cambiarán? English, Português

Original en Open Global Rights, en https://opendemocracy.net/openglobalrights/lucia-nader/escuchar-las-calles-el-caso-espa%C3%B1ol

LUCIA NADER 28 September 2015

El 15 de mayo de 2011, un cartel en las calles de Barcelona resumió bien la situación: “Democracia: te quiero, pero te siento un poco ausente”. Cientos de miles de españoles indignados salieron a las calles, gritando “No nos representan” y “¡Sí se puede!”. Este día, conocido localmente como el 15-M, representó un cambio significativo en la escena política de España. Los manifestantes no solo protestaban las medidas de austeridad del gobierno, sino que se rebelaban de una manera más general contra la cultura política española.

Cuatro años más tarde, las elecciones municipales sacudieron el sistema de partidos políticos tradicionales del país. Las personas llenaron las calles de Barcelona una vez más, ahora para celebrar la victoria de Ada Colau como alcaldesa. Colau, una activista contra los desahucios, se dio a conocer como una de los fundadores de la Plataforma de los Afectados por la Hipoteca (PAH), un movimiento por los derechos de vivienda que ganó visibilidad en las protestas de 2011. En Madrid, la gente celebró la victoria de Manuela Carmena, una juez prominente y defensora de los derechos humanos. Los votantes españoles estaban enviando un mensaje claro: querían a “personas comunes” en el poder, y eligieron a dos mujeres fuertes, de alto perfil, vinculadas con los movimientos sociales que habían encabezado las protestas del 15-M.

¿Cuáles fueron los aspectos positivos y negativos de ser entidades “sólidas” y con una organización convencional en un mundo “líquido” compuesto por individuos y movimientos sociales que evolucionan rápidamente? Los partidos políticos tradicionales se han apresurado para intentar averiguar qué significan las protestas callejeras masivas para ellos, y lo mismo están haciendo las organizaciones de la sociedad civil, incluidas agrupaciones de derechos humanos destacadas, como Observatori Desc, Salud por Derecho y Ecologistas en Acción. ¿Cómo se vieron afectadas estas organizaciones? ¿Cuáles fueron los aspectos positivos y negativos de ser entidades “sólidas” y con una organización convencional en un mundo “líquido” compuesto por individuos y movimientos sociales que evolucionan rápidamente?

En mayo y junio de este año, entrevisté a docenas de personas en Madrid y Barcelona, en busca de respuestas a estas preguntas. Sus respuestas fueron muy similares a las de Brasil, donde las organizaciones se han visto afectadas por las protestas callejeras desde junio de 2013.

Entre el optimismo y la sospecha

Muchos líderes de organizaciones no gubernamentales (ONG) describieron el 15-M como una increíble “explosión de energía”. “¿Dónde estaban todas estas personas la semana pasada?”, preguntó Concepción García de Ecologistas en Acción, una confederación de 300 organizaciones que trabajan con derechos ambientales.

Otros líderes vieron las protestas del 15-M como una época de gran optimismo y un resurgimiento de la creencia de que los ciudadanos comunes pueden ser catalizadores del cambio social y político. Vanessa López de Salud por Derecho, una agrupación con sede en Madrid que defiende el derecho a la salud, recordó que durante mucho tiempo ella y sus colegas se habían sentido “solos”, desalentados porque un gobierno supuestamente izquierdista había adoptado las políticas de la derecha. “De repente”, recordó, “todas esas personas salieron a las calles… estábamos tan emocionados”.

Mismo con todo el entusiasmo, a algunas agrupaciones de la sociedad civil les resulto difícil relacionarse con los manifestantes, ya que las personas en las calles querían demasiadas cosas distintas, demasiado rápido. Además, hablaban en términos sumamente radicales y rechazaban los canales tradicionales para el diálogo con las instituciones del Estado. “Tratamos de acercarnos” a los manifestantes, recordó uno de los dirigentes de ONG. “Pero sentimos que había resistencia. Nos hacían [preguntas difíciles] sobre nuestros donantes, nuestras posturas políticas, nuestros valores”.

Otras agrupaciones de la sociedad civil se mostraron más optimistas. De acuerdo con Vanessa Valiño de Observatori Desc, una plataforma nacional de organizaciones que trabajan con los derechos económicos, sociales y culturales, algunas ONG pudieron establecer alianzas con los manifestantes y, entre otras cosas, “expresar las exigencias de las calles en términos legales”.

Madrid, Spain. 15th May 2011 -- The call for Real Democracy NOW! march through the streets of Madrid calling for a political and social change in Spain.  -- The call for Real Democracy NOW! march through the streets of Madrid calling for a political and social change in Spain. Madrid, Spain. 15/05/2011

Madrid, Spain. 15th May 2011 — The call for Real Democracy NOW! march through the streets of Madrid calling for a political and social change in Spain. Madrid, Spain. 15/05/2011 — Demotix/Jesus Cabrera Duque (All rights reserved)

El efecto de la calle

En mis entrevistas, encontré que las protestas masivas de 2011 tuvieron cuatro efectos distintos sobre las agrupaciones de derechos humanos de la sociedad civil:

Planificación y financiación flexible

Normalmente, las principales ONG “sólidas” planifican sus actividades en ciclos de 12 o 24 meses. Tienen proyectos a mediano y largo plazo, fechas claras, marcadores de impacto, “marcos estratégicos” y informes para los donantes que completar. Las protestas callejeras de 2011, sin embargo, llevaron el día a día de la política al trabajo cotidiano de las ONG, lo que contribuyó a que estas sintieran la necesidad de estar más conectadas a “las vidas de los ciudadanos comunes”, y más capaces de aprovechar las ventanas de oportunidad.

Virginia Álvarez de la oficina de Amnistía Internacional en Madrid, por ejemplo, calculó que más del 50 % de sus actividades actuales ya no se planifica con anticipación. En cambio, ahora se celebran reuniones semanales para detectar tendencias. “Lo que cambia es el contexto”, subrayó Álvarez. “Si antes trabajábamos con la violencia del Estado solamente dentro de las prisiones, ahora también incorporamos la violencia policiaca en las protestas”. Se quedó aún más evidente que la flexibilidad en la planificación y el financiamiento es clave, ya que deja espacio para lo inesperado.

Nuevas agendas y redes

Como resultado directo de las protestas de 2011, muchas ONG españolas se encuentran trabajando en todo tipo de temas nuevos, como “el derecho a la ciudad”, que hace hincapié en la sostenibilidad, la democracia, la equidad y la justicia social. También están trabajando con grupos y personas con los que antes no tenían conexión alguna. “Desde el 15-M”, afirmó Vanessa López de Salud por Derecho, “hemos empezado a trabajar con actores no convencionales, como los economistas españoles y la asociación española de médicos”.

Estructura y procesos internos

Algunas organizaciones informaron que era (y es) difícil equilibrar la “velocidad que exigen las calles” con los procesos institucionales a los que están acostumbradas. También hubo fricciones entre el “activismo individual” de los integrantes de los equipos y su “activismo institucional” como miembros de las ONG. Algunos de los entrevistados dijeron que cuando quieren ser activistas “de verdad”, lo hacen fuera de su organización.

Con las protestas de 2011, algunas agrupaciones que eran las sucursales españolas de organizaciones internacionales más grandes, como Amnistía Internacional y Médicos del Mundo, comenzaron a tener una mayor autonomía de las oficinas centrales. Dado que las condiciones locales eran únicas y cambiaban rápidamente, necesitaban la independencia para experimentar.

Comunicación y movilización

Finalmente, casi todos mis entrevistados dijeron que las organizaciones de derechos humanos necesitan comunicarse más y mejor, además de ampliar sus estrategias para la movilización social. “¿Por qué no logramos movilizar tanta gente como los otros movimientos?”, fue la frase que más escuché de los entrevistados.

En las protestas de 2011, las ONG tuvieron que “criticar al poder” en público y expresarse más abiertamente. Incluso las agrupaciones más prudentes tenían que “tomar una postura más clara respecto a asuntos que suelen evitarse, como sus opiniones sobre el sistema capitalista, políticos específicos y otros asuntos con poderosas connotaciones políticas”, de acuerdo con Valiño, del Observatori Desc. Como explicó Maira Costa de la Plataforma de los Afectados por la Hipoteca (PAH): “Los nuevos movimientos presionaran a las organizaciones tradicionales para que se expresen con más firmeza, sean más radicales y más rápidas en la comunicación”.

Después del 15-M, a muchas personas que trabajan en las ONG ahora les parece más sencillo explicar qué hacen las organizaciones, porque la sociedad está más politizada y más abierta a escuchar y participar. “Pero tenemos que tener un menú de opciones más diversas y personalizadas, para que puedan elegir qué tipo de relación quieren tener con nosotros”, dijo Tomás Hernández de Médicos del Mundo.

Una cosa está clara: las protestas del 15-M en España sacudieron al sector de las organizaciones de derechos humanos del país. “La caja de herramientas de las organizaciones se amplió después del 15-M”, resumió Jordi Vaquer, de la Iniciativa para una Sociedad Abierta en Europa (la oficina de Open Society Foundations con sede en Barcelona).

El equilibrio entre la innovación y la persistencia es siempre difícil de alcanzar. Pero, como advierte Joan Subirats de la Universidad de Barcelona, “estamos viviendo un cambio de época – no una crisis temporal – y la única manera de avanzar es adaptarse y cambiar”. Las protestas callejeras exemplifican muchos de los síntomas de esta nueva era. Pero ¿somos suficientemente humildes para escucharlas?

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Listening to the streets: the Spanish case

Four years after Spain was shaken by mass protests, the country’s electoral politics are changing. Have human rights organizations been affected and will they also change? Español, Português

Published by Open Global Rights – available at www.opendemocracy.net/openglobalrights/lucia-nader/listening-to-streets-spanish-case

Lucia Nader

Four years later, municipal elections shook up the country’s traditional political party system. People crowded the streets of Barcelona once again, this time to celebrate the victory of Ada Colau as mayor. Colau, an anti-eviction activist, made her name as a founding member of Plataforma de los Afectados por la Hipoteca (PAH), a housing rights movement that gained visibility in the 2011 protests. In Madrid, people celebrated the victory of Manuela Carmena, a prominent judge and human rights advocate. Spanish voters were sending a clear message: they wanted “ordinary people” in power, and they elected two strong, high profile women linked to the social movements that had spearheaded the 15-M protests.

Traditional political parties have scrambled to figure out what mass street protests mean for them, but so have civil society organizations, including prominent rights groups such as Observatori Desc, Salud por Derecho, and Ecologistas en Acción. How were these organizations affected? What were the good and bad aspects of being “solid”, conventionally organized entities in a “liquid” world of quickly evolving individuals and social movements?

In May and June of this year, I interviewed dozens of people in Madrid and Barcelona, seeking answers to these questions. Their answers were quite similar to those in Brazil, where organizations have been affected by street protests since June 2013.

Between optimism and suspicion

Many NGO leaders described 15-M as an amazing “burst of energy”. “Where were all these people last week?” asked Concepcion Garcia of the Ecologistas en Acción, a confederation of 300 organizations working with environmental rights.

Other NGO leaders saw the 15-M protests as a time of great optimism and revival of the belief that ordinary citizens can catalyze social and political change. Vanessa Lopez of Salud por Derecho, a right to health group based in Madrid, recalled that she and her colleagues had long felt “alone”, discouraged that an allegedly leftist government had taken on the policies of the right. “Suddenly,” she recalled, “All those people came onto the streets…we were so excited.”

Despite the excitement, some civil society groups found the protestors difficult to engage with, as the people in the streets wanted too many different things, too quickly. They also spoke in highly radical terms and rejected traditional channels of dialogue with state institutions. “We tried to get closer [to the protestors],” one NGO leader recalled. “But we felt resistance. They asked us [tough questions] about our donors, our political positions, our values.”

Other civil society groups were more optimistic. According to Vanessa Valiño of Observatori Desc, a national platform of organizations working with economic, social and cultural rights, some NGOs were able to establish partnerships with the protestors and complement each other to, for instance, “express the demands of the streets in legal terms.”

Madrid, Spain. 15th May 2011 -- The call for Real Democracy NOW! march through the streets of Madrid calling for a political and social change in Spain.  -- The call for Real Democracy NOW! march through the streets of Madrid calling for a political and social change in Spain. Madrid, Spain. 15/05/2011

Madrid, Spain. 15th May 2011 — The call for Real Democracy NOW! march through the streets of Madrid calling for a political and social change in Spain. — Demotix/Jesus Cabrera Duque (All rights reserved)

The impact of the street

In my interviews, I found that the mass protests of 2011 had four distinct impacts on rights groups within civil society:

Flexible planning and funding

Normally, “solid” mainstream NGOs plan their activities in 12 or 24-month cycles. They have medium and long-term projects, clear timelines, impact markers, “strategic frameworks” and donor reports to fill out. The street protests of 2011, however, brought the political day-to-day into the daily work of NGOs. They felt the need to be more connected to “the lives of ordinary citizens”, and better able to take advantage of windows of opportunity.

Virginia Alvarez of the Amnesty International office in Madrid, for example, estimated that over 50% of what they currently do is no longer planned in advance. Instead, they now hold weekly meetings to detect trends and opportunities. “What changes is the context,” Alvarez stressed. “If we previously worked with state violence only within prisons, now we also incorporate the police violence in the protests.” It became more evident that flexibility in planning and financing is key, leaving room for the unexpected.

New agendas and networks

As a direct result of the 2011 protests, many Spanish NGOs find themselves working on all manner of new themes, including “the right to the city”, which emphasizes sustainability, democracy, equity and social justice. They are now also working with groups and people with whom they previously had no connection. “Since 15-M we have begun working with unconventional actors, such as the Spanish economists and the Spanish physicians association,” said Vanessa Lopez of Salud por Derecho.

Structure and internal processes

Some organizations reported that it was (and continues to be) hard to balance the “speed that the streets demand” with the institutional processes to which they are used to. There was also friction between the “individual activism” of team members, and their “institutional activism” as members of NGOs. Some of my respondents said that when they want to be “real” activists, they do this outside their organization.

With the 2011 protests, groups that were the Spanish branches of larger international organizations, such as Amnesty International and Medicos del Mundo, also found themselves demanding more autonomy from the central office. As local conditions were unique and fast changing, they needed the independence to experiment.

Communication and mobilization

Finally, almost all of my respondents said that rights groups need to communicate more and better, and to expand their strategies for social mobilization. The most frequent statement I heard was: “Why aren’t we able to mobilize people the way other movements do?”

During the 15-M, NGOs had to publicly “criticize power” and become more outspoken. Even the most prudent of groups had to “position themselves more clearly with respect to issues that are often avoided, such as their views on the capitalist system, specific politicians and other issues with powerful political overtones”, according to Valiño, from Observatori Desc. As Maíra Costa of Plataforma de los Afectados por la Hipoteca (PAH) explained, “The new movements pressure traditional organizations to be more vocal, more radical, and faster in their communication.”

After 15-M, many NGO workers now feel that it’s easier to explain what organizations do, because society is more politicized, and more open to listen and engage. “But we have to have a more diverse and customized options menu so that they can choose what kind of relationship they want to have with us,” said Tomas Hernandez of Médicos del Mundo.

There is no doubt that the 15-M protests in Spain have shaken up the country’s civil society sector, and not only the country’s electoral politics. “The organizations’ toolbox widened after 15-M,” summarized Jordi Vaquer, from the Open Society Initiative for Europe (the office of Open Society Foundations based in Barcelona).
The balance between innovation and persistence is difficult. However, as Joan Subirats from the University of Barcelona warns, “We are living through a changing era, not a temporary crisis, and the only way forward is to adapt and change.” Street protests exemplify several symptoms of this new era.

But are we humble enough to listen to them?

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Escutando as ruas: o caso espanhol

Quatro anos após a Espanha ter sido abalado por protestos em massa, o cenário político do país está mudando. Será que organizações de direitos humanos foram impactadas e mudarão também?‬‬‬‬‬‬‬‬‬‬ EnglishEspañol

Publicado no Open Global Rights – original disponível em https://opendemocracy.net/openglobalrights/lucia-nader/escutando-as-ruas-o-caso-espanhol

LUCIA NADER 28 September 2015

Em 15 de maio de 2011, um cartaz nas ruas de Barcelona resumia bem a situação: “Democracia: te quiero, pero te siento un poco ausente” (“Democracia: te amo, mas você anda um pouco ausente”). Centenas de milhares de espanhóis tomaram as ruas indignados, gritando “No nos representan” (“Não nos representam”), e “Si, se puede!” (“Sim, é possível”). Este dia, conhecido na Espanha como “15-M”, desencadeou uma mudança significativa no cenário político do país. Os manifestantes não estavam apenas protestando contra as medidas de austeridade do governo, mas se rebelando de modo mais amplo contra a cultura política espanhola. ‬

Quatro anos mais tarde, as eleições municipais estremeceram o tradicional sistema de partidos políticos do país. As ruas de Barcelona foram novamente tomadas, desta vez para celebrar a vitória de Ada Colau como prefeita. Colau, ativista anti-despejos, tornou-se conhecida como uma das fundadoras da “Plataforma dos Afetados pelas Hipotecas” (“Plataforma de los Afectados por la Hipoteca” – PAH, em espanhol) um movimento pelo direito à moradia que ganhou visibilidade nos protestos de 2011. Em Madri, comemoraram a vitória de Manuela Carmena, proeminente juíza e defensora dos direitos humanos. Os eleitores espanhóis enviaram uma mensagem clara: queriam “pessoas comuns” no poder e elegeram duas mulheres com perfis fortes, de alto escalão, ligadas aos movimentos sociais que tinham estado à frente dos protestos do 15-M.‬‬‬‬‬‬‬‬‬‬

Os partidos políticos tradicionais se esforçam para entender o que os protestos de rua em massa significaram para eles. O mesmo aconteceu com proeminentes organizações da sociedade civil que lutam por direitos humanos, como “Observatório Desc”, “Saúde por Direito” e “Ecologistas em Ação” (Observatori Desc, Salud por Derecho e Ecologistas en Acción, em seus nomes originais). Como essas organizações foram afetadas? Quais foram os aspectos positivos e negativos em serem instituições “sólidas”,  organizadas “convencionalmente” em um mundo “líquido” de indivíduos e movimentos sociais em ebulição?‬‬‬‬‬‬‬‬‬‬

Em maio e junho passados, entrevistei dezenas de pessoas em Madri e Barcelona, em busca de respostas a estas perguntas. O que ouvi foi bastante semelhante a entrevistas que fiz no Brasil, onde as organizações vêm sendo afetadas por protestos de rua desde junho de 2013.‬‬‬‬‬‬‬‬‬

Entre otimismo e desconfiança ‬‬‬‬‬‬

Diversos líderes de ONGs descreveram o 15-M como uma incrível “explosão de energia”. “Onde estavam todas aquelas pessoas na semana anterior?”, me disse Concepción Garcia da Ecologistas en Acción, confederação de 300 organizações que trabalham com direitos ambientais.‬‬‬‬‬‬‬‬‬‬

Outros viram os protestos como um período de grande otimismo e renascimento da crença de que os cidadãos comuns podem catalisar mudanças sociais e políticas. Vanessa Lopez da Salud por Derecho, organização que luta pelo direito à saúde com sede em Madri, relembrou que ela e seus colegas vinham há muito tempo se sentindo “sozinhos”, desanimados, porque um governo supostamente de esquerda havia adotado políticas de direita. “De repente”, ela disse, “Todas essas pessoas foram para as ruas…e estávamos tão animados”.  ‬‬‬‬‬‬‬‬‬‬

Apesar do entusiasmo, algumas organizações da sociedade civil acharam difícil se relacionar com os manifestantes. Relataram que quem estava nas ruas pedia coisas muito diversas ao mesmo tempo e queriam tudo muito rápido. Falavam em termos muito radicais e rejeitavam canais tradicionais de diálogo com as instituições estatais. “Tentamos nos aproximar” dos manifestantes, um dirigente de uma ONG recordou. “Mas sentimos resistências. Eles nos perguntavam (questões delicadas) sobre nossos doadores, posições políticas, valores…”.‬‬‬‬‬‬‬‬‬‬

Mas ouvi também visões mais otimistas. De acordo com Vanessa Valiño da Observatori Desc, uma plataforma nacional de direitos econômicos, sociais e culturais, algumas ONGs foram capazes de estabelecer parcerias com os manifestantes e serem complementares, por exemplo, “ao expressar as demandas das ruas em termos jurídicos”, disse.

Madrid, Spain. 15th May 2011 -- The call for Real Democracy NOW! march through the streets of Madrid calling for a political and social change in Spain.  -- The call for Real Democracy NOW! march through the streets of Madrid calling for a political and social change in Spain. Madrid, Spain. 15/05/2011

Madrid, Spain. 15th May 2011 — The call for Real Democracy NOW! march through the streets of Madrid calling for a political and social change in Spain. Demotix/Jesus Cabrera Duque (All rights reserved)

O impacto das ruas‬‬‬‬‬‬‬‬‬‬

Em minhas entrevistas, descobri que os protestos de ruas de 2011 impactaram as organizações de direitos humanos da sociedade civil em quatro frentes:‬

Planejamento e financiamento flexível‬‬‬‬‬‬‬‬‬‬

Normalmente, as ONGs “sólidas” planejam suas atividades em ciclos de 12 ou 24 meses. Desenvolvem projetos de médio e longo prazos, com datas claras, indicadores de impacto, diretrizes estratégicas e prestação de contas para doadores. Mas as manifestações de rua de 2011, evidenciaram a importância do cotidiano político para o trabalho diário das organizações. De alguma maneira, sentiram a necessidade e precisaram estar mais conectadas às “vidas dos cidadãos comuns”, e mais capazes de tirarem vantagem das janelas de oportunidades. ‬

Virginia Alvarez, da Anistia Internacional em Madri, estima, por exemplo, que mais de 50% do que eles fazem hoje não é planejado com antecedência – e são feitas reuniões semanais de  conjuntura para detectar tendências e oportunidades. “O que muda é o contexto” Alvarez destacou. “Se anteriormente trabalhávamos com a violência estatal apenas dentro das prisões, agora nós também incorporamos a violência policial nas manifestações”. ‬‬‬‬‬‬

Ficou ainda mais evidente que flexibilidade no planejamento e no financiamento são cruciais, dando margem de manobra para o inesperado.‬‬‬‬

Novas agendas e redes‬‬‬‬‬‬‬‬‬‬

Como resultado direto dos protestos de 2011, diversas ONGs espanholas ampliaram os temas nos quais atuam, incluindo “o direito à cidade”, com ênfase na sustentabilidade, democracia, igualdade e justiça social. O leque de parcerias também foi ampliado – até mesmo com grupos com os quais não tinham qualquer conexão anterior. “Desde o 15-M, começamos a trabalhar com atores não convencionais, como economistas e a associação de médicos espanhóis”, me contou Vanessa Lopez da Salud por Derecho.  ‬

Estrutura e processos internos‬‬‬‬‬‬‬‬‬‬

Algumas organizações relataram que foi (e é) difícil balancear a “velocidade que as ruas demandam” com os processos institucionais aos quais estão acostumadas. Também disseram haver atritos entre o “militância individual” dos integrantes da equipe e o “ativismo institucional”. Algumas das pessoas que entrevistei disseram que quando querem ser ativistas “de verdade”, fazem isso fora de suas organizações. ‬

Com os protestos de 2011, escritórios nacionais de organizações internacionais de grande porte, como as representações da Anistia Internacional e Médicos del Mundo na Espanha, passaram a ter mais autonomia na relação com os escritórios-sede. Era necessário independência para ousar em meio a uma situação nacional sem precedentes recentes e que mudava a todo tempo. ‬‬‬‬‬‬‬‬‬‬

Comunicação e mobilização‬‬‬‬‬‬‬‬‬‬

Por fim, quase todas pessoas que entrevistei enfatizaram a necessidade das organizações de direitos humanos precisam se comunicar mais e melhor, e expandir suas estratégias de mobilização social.‬ “Por que não conseguimos mobilizar tanta gente quanto outros movimentos?˜, foi a frase mais recorrente que ouvi dos entrevistados.

Durante o 15-M, as ONGs tiveram que “criticar o poder” publicamente e se tornar mais vocais. Segundo Valiño, do Observatori Desc, até mesmo organizações mais prudentes tiveram que “se posicionar de forma mais clara a respeito de questões que frequentemente são evitadas, como a relação de direitos com o sistema capitalista, opinião sobre políticos específicos e outras questões com profundas implicações políticas”. Conforme Maíra Costa da Plataforma de los Afectados por la Hipoteca (PAH) explicou, “os novos movimentos pressionaram as organizações tradicionais a serem mais vocais, mais radicais e mais rápidas em sua comunicação”. ‬‬‬‬‬‬‬‬‬‬

Há ainda a percepção de que, depois dos protestos, está mais fácil explicar o que as organizações fazem, porque a sociedade está mais politizada, e mais aberta a ouvir e se engajar. “Mas nós temos que ter um cardápio de opções mais diversificado e personalizado  para que as pessoas possam escolher que tipo de relação querem ter com a gente”, resumiu Tomas Hernandez da organização Médicos del Mundo.

Não há dúvida: os protestos de 15-M na Espanha impactaram as organizações de direitos humanos, além do cenário político e eleitoral. “A ‘caixa de ferramentas’ das organizações se ampliou depois de 15-M”, diz Jordi Vaquer, da Open Society Initiative para a Europa (“Open Society Initiative for Europe”, na sua denominação original, o escritório da Open Society Foundations em Barcelona). ‬‬‬‬

O equilíbrio entre inovação e continuidade é sempre difícil. Mas, como me alertou Joan Subirats, da Universidade de Barcelona, “Estamos vivendo uma mudança de época – e não uma crise temporária – e o único caminho a seguir é se adaptar e mudar.” Os protestos de rua exemplificam vários sintomas dessa nova era. Mas, somos humildes o suficiente para ouvi-los?

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oGR :: Africa’s social movements present opportunities, not threats, for rights groups

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Published by Open Global Rights on May, 5th, 2015

LUCIA NADER and AKWASI AIDOO

After decolonization, many African political groups lost touch with the grassroots. Let’s not let the same happen to the continent’s professional human rights groups. Português, Español

The global upsurge in the streets and through new social movements presents a conundrum for human rights groups; on the one hand, it creates a tsunami of unpredictable change, while on the other hand, it promises new opportunities for renewal. Human rights groups around the world must innovate or risk being rendered irrelevant by the new surge of street activism.

The African region is no exception, despite its diversity. Consider Senegal, where in 2011 the Y’en a Marre (“Enough-is-Enough”) youth movement and Mouvement 23 (“June 23 Movement”) seized the limelight during a turbulent political moment, and played a critical role in preventing former President Abdoulaye Wade’s attempt to amend the constitutional provision on term limits and hang on to power. In the process, long-established and extremely important Senegalese human rights organizations, such as Rencontre Africaine pour la Défense des Droits de l’Homme (RADDHO), appeared virtually irrelevant. They were not always present on the streets, and were not consistently able to use the moment to give their causes new visibility.

How can professional human rights organizations become more nimble, while also maximizing impact and sustaining their work over the long term? Doing all these things is crucial to remaining relevant in an age of increased grass roots activism.

In Africa today, some say that social movements are more representative of the public’s desires than mainstream human rights groups. Are they? They do perhaps have a better sense than conventional civil society groups about what “people really care about”, and how intensely their grievances are felt. These movements also claim to be better at including more diverse demographics, including youth, into their campaigns and protests. And, perhaps, due to more flexible and agile structures, they can act more quickly.

Professional African rights organizations by contrast tend to focus on reforming the state, or on interacting with international organizations. No doubt this continues to be tremendously important. However, as ordinary people have less trust in state institutions and international organizations, they may also trust human rights organizations less. African organizations are also dependent on Northern donors, forcing their activities and thinking into short-term, project-based frameworks. As a result, they can’t see what’s going on in the periphery of their areas of expertise, even if those new developments are game changers. Moreover, ordinary people are often moved to action by events that are not on the human rights organizations’ radar. Thus, the mass movement that also mobilized so rapidly and powerfully against long-time Burkina Faso president Blaise Compaoré took most local human rights organizations completely by surprise.

Mass mobilization, of course, is to be welcomed, as human rights can only be durably protected when ordinary people stand up for their rights.

These traditional elements can form a bridge between moments of social protest, while also providing access to stable financing. Fast-moving, street-smart “fluidity” is thus crucial. At the same time, Senegal and other African countries also need the “solidity” of the traditional rights groups, including their permanent organizational structures, and their expert, paid staff. These traditional elements can form a bridge between moments of social protest, while also providing access to stable financing. This, in turn, will help sustain human rights campaigns over time.

To maintain their relevance, however, African rights groups will have to become more innovative and nimble. They must keep their ears to the ground, forging new and more creative partnerships with participants of new social movements.

Both the “fluid” new actors and the “solid” conventional organizations must take a good look in the mirror, and figure out how best to create these alliances. The conventional organizations can’t lose by extending an olive branch to new social groups with significant followings; this will help them join fast-moving civil society demands without necessarily losing their own sense of mission and profile. They will also gain an opportunity to build constituencies in new social sectors. Protagonists of new social groups, for their part, can take the lead during moments of public protest, drawing additional legitimacy from their partnership with the established human rights groups.

As previous openGlobalRights authors have written, human rights groups must also figure out how to diversify their funding sources, and raise more domestic money. Today, most African rights groups depend on foreign donors, but this does not have to remain forever true. As Austrian theologian Friedrich von Hügel said, “The Golden Rule is to help those you love to escape from you.” If foreign donors really do want to help African rights organizations, they must assist in creating a domestic philanthropic infrastructure.

During and after Africa’s liberation struggles in the 1960s, many groups became political parties, and lost touch with their organic roots. Let’s not allow the same thing to happen to African human rights groups.

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Navegador :: Novos poderes, democracia

Assista à entrevista em http://globosatplay.globo.com/globonews/v/4129363/

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oGR :: Firm yet flexible: keeping human rights organizations relevant

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Published by Open Global Rights on April, 15, 2015

LUCIA NADER

The mass protests spreading from Cairo to Istanbul, Madrid to Santiago, and from Tunis to São Paulo, all demonstrate that millions worldwide seek more just, dignified and humane societies. In fact, an analysis of recent protests in 90 countries suggests that achieving “real democracy” is a major theme in most street protests.

It would be naïve to believe, however, that protestors’ demands are all directly related to human and minority rights. Nor does this new mobilization signify a definitive break with conventional social organisations and institutions.

Still, recent mass protests highlight features increasingly prevalent in today’s world: a multiplicity of actors and struggles, widespread critique and a crisis of representation of public institutions, and the increasing political empowerment of individuals.

What does all this mean for “traditional” civil society organizations in the 21st century, particularly human rights groups?

I suggest three hypotheses: First, human rights organizations will have to engage with many new struggles and interlocutors, at all levels. Second, they will have to reconsider the way they relate to, and try to influence, state institutions. And third, rights groups will have to do a better job of engaging individuals with their causes. In the months to come, we will explore these themes in a series of openGlobalRights articles and other resources.

Multiplicity

Human rights groups must still work on “traditional” issues, including torture or arbitrary imprisonment. But they will also encounter a range of new issues. Human rights groups must still work on “traditional” issues, including torture or arbitrary imprisonment. But they will also encounter a range of new issues, such as the “right to the city,” which stresses mobility and urban planning, or digital privacy, which requires detailed technological knowledge. These and other new areas can stretch human rights groups in unforeseen ways.

The human rights community’s “interlocutors” are also increasingly varied. In years past, most human rights NGOs focused on the state or international organizations; today, we all know that commercial and financial interests are also sources of abuse. Human rights groups are developing the arguments and techniques required to address private actors, but more expertise is necessary.

Where, for example, should rights activists attempt to fight against abusive companies? Hypothetically, when a Chinese multinational whose main business is in Europe uses public funding to commit violations in an African country, who is responsible, and how can human rights groups hold them to account? Which jurisdictions should they target?

Relatedly, should domestic rights groups continue to focus chiefly on national issues, or should they also seek impact on regional and international affairs? Consider, for example, a NGO seeking influence over human rights problems caused by the “war on drugs.” To have impact, it must consider national, regional and international factors, staying informed and maintaining partnerships at all levels. This, in turn, will require new human resources, new expertise, and new ways of operating.

This multiplicity of struggles, interlocutors and venues encourages organisations to constantly reinvent themselves and update their thinking and strategies. It also imposes challenges, including the difficulty of remaining faithful to the group’s original identity and mission, cultivating new expertise and resources, developing new partnerships, and combining short- and long-term action.

Centre of gravity

The concept of the “nation-state” is under attack due to transnational social movements, protests, and flows of all kinds. The greatest challenge comes from within, however, as domestic publics react to public institutions’ perceived inability to represent their views and effectively implement policies. Consider the legislative system, held hostage by the kind of party politics that many citizens abhor. The gap between state institutions’ promises and capabilities is wide, and growing.

This public disillusionment challenges civil society organisations in at least two ways. First, the public may regard NGOs with similar distrust. Second, human rights NGOs’ point of reference is under attack, leading to disorientation and confusion. After all, the central logic of human rights activism takes the state as its centre of gravity. More than anything else, human rights activists seek to influence what the state should, and should not, do. But if the public fundamentally distrusts the state, what are the implications for human rights organisations?

States remain responsible for guaranteeing human rights, and should thus remain a focus of human rights organisations. Still, many NGOs feel increasingly disoriented as the public questions state agencies’ ability and legitimacy to do their job. NGOs will have to develop new ways of working and influencing the state, and will also need to find ways of rebuilding citizen trust in public institutions and in the relevance of state-oriented human rights claims.

Non-institutional activism

Historically, many rights groups have sought to represent, give voice to, and act for, vulnerable people and under-represented groups. They have also tried to channel diffuse public demands and pressure institutions in a coordinated manner. The more individuals become central political actors, however, the more difficult it is for NGOs to play this role. If anyone can act or engage directly in attempts to bring about deep social transformation, who needs institutions, unified campaigns, and organised demands?

This leads to “non-institutional activism” in which a wide range of individuals simultaneously and ephemerally champion diverse causes. When they do happen, these actors’ alliances with established organisations are usually sporadic and issue-based, rather than on an NGOs’ totality of values and mission.

Digital activism and social media strengthens this phenomenon. On the one hand, they favour access to information and constantly tempt people to take political positions. On the other hand, they dilute the kind of long lasting, institutional connections necessary for long-term social transformation.Writers, bloggers and journalists use social media, mobile communications and digital networks to promote human rights.

A difficult balance

Today’s civil society and human rights groups find themselves in a new world. At present, there is a tension between preserving what has already been achieved, and deconstructing, innovating, reinventing and transforming. But these forces need not necessarily be opposed.

Human rights groups in the 21st century must be “solid” enough to persist and have impact, but “liquid” enough to adapt, take risks and seize new opportunities. This is a difficult balance, but it is likely the best way to guarantee rights for real human beings, made of flesh and bone.

This article draws on an earlier piece published in Sur: International Journal on Human Rights.

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